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Duvidas e sugestões, utilize o e-mail: arnaldolemos@uol.com.br


Sou professor da Faculdade de Ciências  Sociais, do Centro de Ciências Humanas e Sociais  Aplicadas da Puc- Campinas, desde 1985. Sou licenciado em Filosofia pela Universidade de Mogi da Cruzes. Graduado em Teologia pela Faculdade de Teologia do Ipiranga, São Paulo e mestre em Ciências Sociais pela Puc- São Paulo. Publiquei o livro "Os Catolicismos Brasileiros", 2ª edição, Editora Alínea. - Campinas, 2006, resultado de uma pesquisa para o mestrado em Ciências Sociais. Sou um dos organizadores do livro "Sociologia Geral e do Direito", 5ª edição, Editora Alínea, Campinas, 2012. Colaborei no livro "Introdução às Ciências Sociais", organizado pro Nelson Marcelino, 14ª edição, Editora Papirus, Campinas, 2005  "O Brasil e o mundo - questões para o século XXI" , organizado por Alberto Martins, Ed. Companhia da Escola, 2002 e "Direito, Legislação e Cidadania", organizado por Angelica Carlini e Luis Renato Vedovato, Editora Alínea, 2009. 

 

Ainda dentro de minhas atividades acadêmicas, fui durante 10 anos (1989-1999) coordenador da CPCD (Coordenação Permanente da Carreira Docente), da Puc- Campinas, primeiro projeto de implantação da Carreira Docente na Universidade, resultado de uma memorável luta  dos professores. Coordenei um Grupo de Trabalho na Pró-Reitoria de Graduação, responsável pelo projeto de Avaliação do Ensino, de 2006 2008. Atualmente participo como um dos coordenadores do grupo de trabalho que continua a elaboração dos instrumentos de avaliação e análise dos seus resultados.

 

Além da Sociologia, tenho interesse no estudo do cinema como instrumento de formação. No final do curso de Teologia, fiz uma monografia "O Cinema  e o Sagrado", publicada posteriormente  em dois números da Revista Comunicarte (nº 10 e 11) do antigo Instituto de Arte e Comunicação da Puc-Campinas) na qual procurei analisar a possibilidade de o sagrado ser expresso de uma maneira adequada no cinema. Tenho apresentado duas atividades de Prática de Formação: Cinema e Sociologia e Cinema e Sociedade Capitalista. Tambem oficinas para os professores sobre o cinema em sala de aula e sobre o mundo do trabalho através do cinema. Estes trabalhos estão na seção "Vale a pena ler". Atualmente procuro desenvolver uma metodologia para o uso do cinema em sala de aula, principalmente nas minhas aulas na Faculdade de Direito.

 

Participei também de atividades sindicais, tendo sido, durante alguns anos, da diretoria do Sinpro (Sindicato dos Professores de Campinas) e da Apropuc (Associação dos Professores da Puc).

 

Já fui professor em muitos lugares. Ordenado padre, em 1960, comecei a lecionar  Literatura no Seminário Menor de Guaxupé-MG e Lógica e Sociologia no Seminário Maior, no curso de Filosofia. No inicio de 1964, fui um dos fundadores  e o primeiro diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da cidade e professor também de Sociologia até 1967. Em 1967, fui para a diocese de Itabira onde fiz um trabalho com os operários da Vale do Rio Doce  e durante o ano de 1968, estive trabalhando na CNBB, no Rio de Janeiro, quando tive a oportunidade  de presenciar e participar das lutas sociais contra o regime militar. Deixando o sacerdócio no final de 1968, lecionei Sociologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Passos ( 1969 /1970), na Faculdade de Administração de Atibaia (1970), na Faculdade de Direito de Itu (1971/1995), nas Faculdades Padre Anchieta de Jundiaí (1970/1995), nas Faculdades Franciscanas de Itatiba (1970/1984) na Faculdade de Direito da  Unip-Campinas (1995-2005).

 

Bruna Mozer,aluna do curso de jornalismo da Puc, fez uma Pratica de Formação
comigo e gostou. Como tinha que fazer um trabalho numa disciplina sobre o perfil
de uma pessoa, fez comigo. Publicou o texto em seu blog:
http://sobcontextos.blogspot.com/

A aluna não me enviou o texto para corrigir.Há coisas interessantes e alguns exageros. 

Eis o texto:

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Olhando os quintais

A história de Arnaldo Lemos sempre me chamou a atenção e me despertou
curiosidade. Em diversas vezes, havia tentado aproveitar qualquer oportunidade
para saber mais sobre a sua vida e história. No final do último semestre, surgiu
a possibilidade. Compartilho aqui:
Quem o conheceu há 50 anos, jamais imaginaria o rumo que sua vida tomaria. O
caminho que parecia pré-destinado para o sociólogo e ex-padre, Arnaldo Lemos
Filho, começou a ser desviado quando o seu instinto de contestação começou a
despertar.
E o que parece hoje, aos 72 anos, é que Lemos ainda possui esse espírito
contestador ainda bastante conservado. Lemos, sindicalista com grande influência
nas décadas de 80 e 90,  um dos representantes do Sindicato dos Professores de 
Campinas da fundação da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), participante de movimentos sociais desde quando exercia o Ministério
Sacerdotal, não é filiado a nenhum partido. "Tem amigos que acham que eu sou de
direita por que não me filiei ao PT ou ao PC do B", conta se divertindo. A
explicação para essa isenção partidária é a de que não encontrou uma ideologia
exata que o fizesse defender a bandeira. "Em cima do muro a gente vê os
quintais", ironiza. Do mesmo modo, como abandonou o sacerdócio por não concordar
com tudo o que pregava. O dogmatismo e o purismo que ainda rejeita na Igreja
Católica, fez com que deixasse de lado a idéia de se filiar aos partidos com que
tinha afinidade logo na sua formação: Partido Comunista do Brasil e Partido dos
Trabalhadores. "A Igreja já é dogmática e purista". Também foram por esses
motivos que abandonou o sacerdócio.
Lemos entrou para o seminário aos onze anos, por influência da família
extremamente religiosa. Nascido em São Sebastião do Paraíso, sul de Minas
Gerais, com pouca idade mudou-se para Guaxupé (MG), para ingressar no seminário.
Aos 23 anos, em 1960, se ordenou padre e passou a dar aulas para os
seminaristas. Oito anos depois, em 15 de dezembro de 1968, dois dias depois de
ser decretado o Ato Institucional (AI-5), se desligou da Igreja. "Não via mais
sentido no que fazia".
Sociólogo apaixonado, passou a vida como professor universitário. O que parece,
é que a paixão pela sociologia nasce por permiti-lo ver o mundo em cima dos
quintais. "Arnaldo é um contestador. Influenciou toda a família, que se filiou
ao PC do B, mas jamais concordou com o partido ao ponto de levantar a sua
bandeira", conta o marido de sua irmã e grande amigo, Augusto Petta.
A primeira vez que teve algum contato com a política, foi em 1955, quando não
havia se ordenado. Lemos foi chamado para preparar o ritual litúrgico da missa
em comemoração ao aniversário do qual seria, no ano seguinte, o futuro
presidente da república, Juscelino Kubitschek de Oliveira. "Os murmúrios
políticos no café que ocorreu após a celebração, me fez perceber que alguma
coisa acontecia no Brasil".
No mesmo ano, Lemos iniciou o curso de Teologia na PUC São Paulo. Na
universidade, conheceu o movimento ligado à Igreja, Juventude Operária Católica
(JOC), em que participou entre 1958 e 1959. Nesse momento eram dados os
primeiros passos ao engajamento político e o despertar de sua consciência
social. "Era um movimento muito forte na Igreja, em auxílio aos operários".
A Igreja Católica possui vários movimentos em prol dos mais carentes. Foi nisso,
que Lemos se apegou. Mesmo contestando e indagando diversos dogmas da Igreja,
como o batismo em crianças, Lemos acreditava que poderia unir o humanismo de
Karl Marx com o conceito de igualdade reproduzido pela Igreja. Para o ex-padre,
os conceitos da Igreja e Marx tinham o mesmo propósito: a igualdade entre as
pessoas. "Se a Igreja é do povo de Deus, então há nela o humanismo de Marx",
pensava. Lemos ainda ressalta o que ainda traz consigo: "não acredito no
marxismo ortodoxo, mas no humanismo".
O primeiro filho de 14 irmãos, ele influenciou politicamente toda a família.
Apesar do pai ser vereador por longos anos na cidade de Jundiaí, ele era um
político conservador. "Eu levava muitos livros para meus irmãos", relembra.
Sua irmã, dez anos mais nova, Maria Clotilde Lemos Petta, é a que mais foi
influenciada pelo irmão. "Ele sempre me trazia livros. O Diário de Anne Frank,
marcou muito a minha geração e me influenciou muito".
Logo que se ordenou padre, Lemos foi chamado a palestrar num uma semana de
estudos, organizada pelo Conselho Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), em Belo
Horizonte. O
objetivo era apresentar o Movimento de Base, método de educação
desenvolvido por Paulo Freire. A Igreja, na época, queria formar sindicatos
rurais na região para dar assistência social aos moradores que lidavam com o
campo e inserir ali, o método Paulo Freire. "Voltei muito entusiasmado com o
projeto". No entanto, o trabalho com os camponeses rendeu-lhe um mal estar com
os fazendeiros da região. "Começaram a falar que eu era um padre comunista",
relembra, achando graça. Ao final da missa, Lemos trocava o convite por café na
casa dos fazendeiros para conversar com os camponeses. "No final da missa, eu
avisava que queria fazer uma reunião com os trabalhadores. Eu queria saber qual
era a real situação deles, as condições de trabalho, os salários etc".
O cenário político no Brasil começava ganhar ares pesados. Em 1963, com João
Goulart na presidência, começava a inserir no país a chamada Reforma de Base.
Uma medida adotada pelo governo, em que previa a reformulação estrutural de
diversos setores: educacional, fiscal, político e agrário. Com o apoio da Igreja
Católica nesta medida, Lemos, adepto à idéia, começou utilizar as missas que
celebrava para fazer pregações e levar ao conhecimento das pessoas, o que era a
Reforma de Base. No entanto, as pregações não pararam por ali, Lemos começou
unir as mensagens do Evangelho com os fatores políticos e sociais que cercavam o
Brasil. "A Igreja passou a lotar nas missas de domingo", conta, rindo.
O golpe militar, que deu a início aos anos de repressão no Brasil, ocorreu em 31
de março de 1964. Lemos conta que na cidade pequena de Guaxupé, no qual ainda
estava, começou um falatório a fim de saber o que "o padre Arnaldo ia falar na
homilia de domingo". O povo da cidade começava a entender a situação política do
país nas pregações que ele fazia.
Para o país, o golpe militar ainda era um enigma. Até mesmo a imprensa sabia o
que, na real, aquilo significava. Para não desapontar a expectativa de seus
fieis, Lemos leu a seguinte mensagem em sua pregação: "Na quinta-feira houve no
Brasil um movimento militar que depôs o presidente da república e isso ocorreu
por duas razões: corrupção e subversão. Então quer dizer que agora, está
declarada a ordem no país. Portanto, a paz esteja convosco. Mas a paz quer dizer
a ordem. Mas será que estamos em ordem? Como estão os camponeses? Como estão os trabalhadores? 
Há fome, há desigualdade ...".
Quando decidiu abandonar o sacerdócio, descobriu que não conseguia encontrar uma
verdade absoluta na Igreja. Voltou a dar aulas, o que realmente gostava de
fazer. Em 1975, entrou para o sindicato dos professores universitários ao qual
passou a lutar por melhores condições de trabalho e pedagógicas. Participou dos
movimentos das "Diretas Já", passeata dos Cem Mil.
"Arnaldo se tornou grande referência entre os movimentos", conta a irmã. Lemos e
Clotilde participaram ativamente em todos debates políticos e movimentos
sociais.
Hoje, está casado há 36 anos e tem três filhas. "Elas não seguiram esse lado das
ciências humanas", conta. Hoje abandonou a religião católica e não educou suas
filhas para nenhuma outra. Lemos tem uma visão libertária do mundo e por isso
que sobrevive a sua paixão. "Eu gosto é de estudar a sociedade. Gosto de ver os
quintais".

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
M.J.




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